Mineração gaúcha cobra retomada de investimentos em infraestrutura

Presidente do Sindibritas e Agabritas, Pedro Antônio Reginato, aponta a necessidade de investimentos pesados em habitação e obras de infraestrutura para reaquecer o segmento e voltar a gerar emprego e renda

As projeções da empregabilidade do setor da mineração de agregados no Rio Grande do Sul ainda não trazem indicadores positivos para o restante de 2017, segundo avaliação do presidente do Sindicato das Empresas de Mineração de Brita, Areia e Saibro do Rio Grande do Sul (Sindibritas) e a Associação Gaúcha dos Produtores de Brita, Areia e Saibro (Agabritas), Pedro Antônio Reginato. Para o dirigente, é necessário que a indústria da construção civil volte a crescer e que as obras públicas, especialmente na área de infraestrutura, sejam retomadas. Isso traria um alento para a geração de empregos no setor.

– A forte recessão que o Brasil vive nos últimos dois ou três anos cria um impacto negativo em todos os setores da economia. Na mineração, não é diferente. Observamos com preocupação que muitas empresas do nosso segmento estão dispensando colaboradores. Isso não agrada ninguém, já que eleva os índices de desemprego e diminui a renda geral do Rio Grande do Sul. Precisamos de políticas fortes que promovam o reaquecimento econômico e nos permitam trabalhar com perspectivas mais animadoras – salienta Pedro Antônio Reginato.

Para o presidente do Sindibritas e Agabritas, um aspecto que demonstra as dificuldades do setor é a queda do consumo nacional de agregados, que, de acordo com dados da Associação Nacional das Entidades de Produtores de Agregados para Construção – ANEPAC, foi de mais de 300 milhões de toneladas no período de 2014 a 2016. Eram 741 milhões de toneladas há três anos e foi de 416 milhões de toneladas no último ano. Na contramão deste processo brasileiro, nos Estados Unidos e na Europa o consumo está crescendo.

– Existe uma demanda reprimida por produtos como areia e brita no Brasil que precisa ser explorada para que o setor retome seu crescimento. Como em 2017 espera-se que o consumo seja semelhante ao de 2016, não acredito que tenhamos grandes avanços em matéria de empregabilidade. Para reverter este quadro, somente com investimentos pesados em habitação e infraestrutura – enfatiza Pedro Antônio Reginato.

Corroborando o que diz o presidente do Sindibritas e da Agabritas, pequisa do ManpowerGroup mostra que em um universo de 850 empregadores ouvidos em todo Brasil, as intenções de contratação para o período entre abril e junho deste ano são de -4%, em um cálculo que considera a diferença entre o percentual de empregadores que esperam aumento e os que estimam redução de trabalhadores nestes meses. Outro aspecto negativo do estudo é o que aponta o setor da construção como o mercado de trabalho mais fraco, com uma expectativa líquida de emprego de – 21%.